00 – Introdução

Antes de iniciarmos um estudo sério, torna-se óbvio nos munirmos de elementos que possam oferecer dados a uma analogia. O estudo da evolução não prescinde desta mesma condição. Implica ainda em iniciarmos de um ponto que nos mereça crédito como elemento básico. Ao nosso entender, o Evangelho é este ponto fundamental para a evolução e os elementos referendáveis entram na história da própria humanidade, bem como as disciplinas científicas em geral.

Partindo do princípio de que o Evangelho fala das “coisas da Terra”, não restam dúvidas de que todo referendável sejam estas mesmas “coisas”. Advoga nosso pensamento o fato de ter sido o Evangelho trazido à Terra, expresso em linguagem da Terra, para os homens que nela habitam. Outro fato capital é: “que dirá se eu falar das coisas do céu!”.

O “Amai-vos uns aos outros” diz da vida sensitiva a que o homem deve chegar. Esta síntese tem sua definição no estado evolutivo referente a uma época que o próprio homem há de consolidar, que é a da “mansuetude”. Fica ainda bem claro que ao atingir este estado, lhe “será por herança a Terra”. Isto nos conduz ao pensamento, que não foge à simplicidade do conteúdo do Evangelho, que é o não ultrapassar os limites dos termos reencarnatórios, estreitando-se, portanto, nas “coisas da Terra”.

O estudo do evoluendo homem em seu conjunto quanto à clareza dos ensinamentos do Nazareno, não se divorcia da realidade social e científica sob todos os aspectos. Todo concebido além deste círculo entra no vácuo do imaginário, sendo de fato contestado pelo realismo.

Devemos sempre termo-nos na conta de homens e, só até os extremos de nossa limitação devemos conceber, porque até aí e só até aí nos é permitido “em razão e consciência”. Não há inteligência, por mais superior, mas “homem”, que possa abstrair-se deste concreto e conceber no abstrato, sem o estímulo do sensível, palpável e analisável, sem que venha a faltar com a verdade para consigo mesmo. É, pois, por este prisma e dentro dessas paralelas, que devemos estudar a evolução partindo da realidade à qual o Evangelho faz inúmeras referências. Assim, temos na extraordinária peça literária do “Sermão da Montanha”, a antessíntese e, no “Amai-vos uns aos outros”, a síntese. Naquela entram os predicados a serem alcançados e seus resultantes e nesta, o objetivo fundamental de abordagem social.

Diga-se a bem da verdade e dos princípios que nortearão todas as nossas referências posteriores, que não nos emoldura a vaidade de um pontificado absoluto, como portadores da verdade inadvogável, mas a intenção de trazer a lume o que conhecemos e pensamos, deixando sempre ao livre-arbítrio das pessoas, “após acurada análise”, o concordar ou não conosco.

Pensamos por esta introdução expor e não impor método de estudo mais condizente com o que diremos em seqüência. Procuraremos nos conduzir por um estratificado, se possível cronológico, através de apostilas e outros módulos, dando assim, possibilidade de observação para a analogia requerida. Evitaremos, à medida do possível, referência a compêndios didáticos ou literários e científicos, deixando aos que nos analisam levarem ao confronto e deduzirem em razão e consciência pessoais. Ao tratarmos do assunto, o faremos sempre em concordância com a sociedade, realidade e Evangelho. O normativo de nossa linguagem será o mais familiar possível, o que nos levará a evitar ao máximo a terminologia técnica específica.

 

Irmão Anthero

(recebido por via mediúnica)