30 – Reencarnação

INSTRUMENTO DA LEI DE EVOLUÇÃO

Quando iniciou a elaboração da doutrina, Allan Kardec não era, positivamente, reencarnacionista. Ele tinha em mente um outro modelo para a vida. Entretanto, a insistência dos Espíritos em indicar a reencarnação fê-lo mudar de ideia. Mas, segundo disse, essa adesão foi feita após profunda reflexão e por não encontrar a solução para os problemas humanos, senão pela pluralidade das existências.

Se, como tantos outros, adotamos a opinião referente a pluralidade das existências, não somente por que ela nos veio dos Espíritos, mas porque nos parece mais lógica e a única que resolve as questões até então insolúveis, afirmou Kardec  no artigo Considerações sobre a Pluralidade das Existências, que é o Capítulo V do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos.

Diz ele: A antiguidade desta doutrina, portanto, em vez de ser uma objeção, devia ser antes uma prova a seu favor. Os Espíritos, ensinando sobre a pluralidade das existências corpóreas, renovam uma doutrina que nasceu nos primeiros tempos do mundo e que se conservou até os nossos dias, no pensamento íntimo das pessoas. Apresentam-na, porém, de um ponto de vista mais racional, mais conforme as leis progressivas na Natureza e mais em harmonia com a sabedoria do Criador, ao despojá-la de todos os acréscimos da superstição. (idem)

A Lei de Evolução, agride os cânones religiosos e científicos. As religiões, embora nominalmente imortalistas, terminam o ciclo produtivo da alma, encarcerando-as em posições definitivas, eternas, após a morte. A existência humana é, para elas, um ciclo muito pequeno: nascimento, vida e morte. Após o túmulo a alma imortal é submetida também a uma restrição de vida infinitamente ociosa.

Provada a persistência do ser após a morte do corpo, o que viria depois?

O Espiritismo abriu as portas do além-túmulo com a revelação de um mundo extra físico, em torno de nós e no qual estávamos mergulhados, vibrante, dinâmico, reproduzindo as emoções, expectativas e as aflições dos homens e mulheres que deixavam o mundo terreno carregando culpas e remorsos, anseios e pena de ter deixado obras, famílias e amores.

A mediunidade rompeu o silêncio, a barreira entre essas populações humanas, descerrando os túmulos. Descoberto, por assim dizer, esse mundo excitante, criou-se uma nova sensação de vida imortal.

Mas isso não bastava, evidentemente, para completar uma ideia mas perfeita da obra divina. Essa população de “mortos vivos” a excitar-se e exercitar suas emoções no plano extra físico, percebeu-se era temporária, como o é a da Terra. Uma população mutável, movediça, porque submetida a uma lei inexorável que é a da evolução.

Então, a reencarnação aparece como instrumento natural dessa mutação constante, entre a vida terrena e a vida extra física, em rotatividade contínua, cíclica.

A reencarnação, pois, é o grande instrumento da perfeição, o modelo perfeito da Criação que movimenta, dá sentido e engrandece a vida.

 

II – REENCARNAÇÃO – A VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA  CORPÓREA

METEMPSICOSE

Na Antiguidade, povos da Ásia (como os hindus), da África (os egípcios) e da Europa ( gregos, romanos e os celtas ), acreditavam que o espírito do homem poderia voltar a viver na Terra em uma nova existência. Alguns deles acreditavam que pudesse vir a animar um corpo de animal e vice-versa, teoria esta denominada de Metempsicose.

Esclarece a Doutrina Espírita que essa volta em corpo animal é impossível, pois o espírito nunca retrocede no grau de evolução alcançado, podendo apenas estacionar temporariamente.

 

RESSURREIÇÃO

Era crença entre os judeus antigos a ideia de que uma pessoa, depois de morta, podia ressuscitar, isto é, ressurgir, reaparecer neste mundo. Diziam ressurreição para qualquer manifestação do espírito, fosse em vidência, aparição, materialização.

Algumas religiões atuais também falam de ressurreição como a volta a vida no mundo corpo.

A Ciência demonstra, porém, que a ressurreição da carne é materialmente impossível, já que, com a morte, o corpo entra em decomposição e as substâncias que o compunham se transformam e são reaproveitadas dentro do ciclo biológico.

No Evangelho encontramos menções de pessoas que teriam sido “ressuscitadas” por Jesus (Lázaro; o filho da viúva de Naim; a filha de Jairo, chefe da sinagoga de Cafarnaum). É que, naquele tempo, confundiam com a morte os estados de catalepsia ou de letargia; nesses estados anormais e as vezes patológicos, há perda temporária da sensibilidade e do movimento e rigidez muscular plástica: na catalepsia isso é parcial; é geral na letargia, um sono patológico que dá ao corpo a aparência de morte real. Jesus não “ressuscitou” aquelas pessoas; o que fez fi corrigir com seu magnetismo superior o estado físico doentio, anormal, e ordenar com sua autoridade moral, que seus espíritos retomassem a atividade normal através do corpo, que ainda não havia morrido e do qual, portanto, ainda não se haviam desligado totalmente.

A Doutrina Espírita não endossa a teoria da Metempsicose nem a da Ressurreição mas a da Reencarnação.

 

III – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

(Leitura do capítulo IV)

IV – O EVANGELHO (NOVO TESTAMENTO) LEITURA DE:

LUCAS, CAP. IX v. 7 a 9

MARCOS, CAP.VI, v. 14 e 15

MATEUS, CAP. XVII, v. 10 a 12

MARCOS, CAP. IX, v. 11 e 12

JOAO, CAP. III, v. 1 a 12

LUCAS, CAP. 7, v. 11 a 16

 

V – ESCLARECIMENTOS DO “IRMÃO ANTHERO”

1 – O QUE É O ESPÍRITO?

Não há uma definição, uma figura, um quadro, um consistente que o defina, mas ele existe, porque de alguma forma de exterioriza através de um corpo, de maneira inteligente, ordenada, mostrando-se independente. Esse “algo”  que assim se manifesta, tem que ser aceito como algo independente do somático ou do corpo. O que seria? Força? Chama? Fumaça? Não. Não há, repetimos, uma consistente que o defina. Tudo quanto tenha a pretensão de definir o espírito, escorrega na rampa do material, do dedutível, portanto, deixa de ser espírito. Assim como não existem duas flores iguais, duas gotas de água iguais, não existem dois espíritos iguais. Cada espírito é um universo moral, absoluto e independente.

O que se pode analisar é a exteriorização de uma inteligência, porquanto, por ser o espírito abstrato, a razão e a lógica humanas não podem definir seu constitutivo.

Sabemos que somos (individualizados na pessoa), mas não sabemos o que somos. Portanto, devemos aceitar, acreditar, dentro da lógica, do nosso nível racional e intelectual, não impondo como certeza, porque sob nenhuma hipótese o ( espírito ) homem pode expressar-se além do concreto em seu racionar, realizar e deduzir.

 

2 – COMO OCORRE O PRECESSO REENCARNATÓRIO?

A lei de reencarnação não determina, mas dinamiza este processo reencarnatório, e esta dinamização segue a lei de “aração para….” .É quando ocorre uma mutação completa do espírito, que ontem estava livre no espaço, sem o corpo, para a conjunção com o novo corpo, já no campo material.

O espírito já vem no processo da amnésia reencarnatória, pois à medida em que, ainda no espaço, vai concebendo a matéria, passa a conviver mentalmente com o desejo de reencarnar e vai apagando os conceitos de vida no espaço ( início do processo da amnésia reencarnatória ), porque o espírito não pode conviver com duas mentalizações a um só tempo.

Quando faz a opção pela reencarnação, o espírito passa a penetrar num campo emocional, racional, intelectual, conceptual, já de ordem material e vai se desligando lenta e automaticamente do campo que vai deixar.

 

3 – A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO MODIFICA ESTE PROCESSO?

Não. A condição evolutiva do espírito não entra nesse processo, não o modifica. Não há privilégio nem seleção na reencarnação.

 

4 – QUAL É O TEMPO PARA ATUAR O PRECESSO REENCARNATÓRIO?

Não vamos falar de tempo, definir tempo. Pode ser um processo variável de tempo no espaço, de criatura para criatura.

Se o espírito manifesta o desejo de reencarnar, vai normalmente se desligando da vida no espaço para penetrar na esteira da “lei cooperativa”, que o conduzirá normalmente ao patamar da reencarnação, ao mundo da carne. Esta reencarnação, e auxiliado pela “lei cooperativa” que o conduz.

 

5 – REENCARNAÇÃO É FATOR DE EVOLUÇÃO?

Sim. Cada reencarnação é um princípio novo de vida, tendo ligação com o passado somente em termos de evolução, do desabrochar da inteligência, da mentalidade, de conceitos superiores conquistados em outras reencarnações. O espírito reencarna trazendo somente este cabedal, o íntimo, o abstrato, o que ele é. Nada absolutamente de sensitivo, cultura etc., porque tudo é renovável e constitui o objetivo de novas conquistas.

 

6 – A REENCARNAÇÃO É DETERMINADA EM FUNÇÃO DO LIVRE ARBÍTRIO DO ESPÍRITO?

É óbvio que sim, imperando sempre a “lei da saturação”. Assim, no espaço existem espíritos saturados da ociosidade, outros começam a sentir vontade de voltar para o corpo material e ter uma vida mais dinâmica, outros ainda, sentem tédio, e decidem reencarnar. A saturação prevalece tanto no espaço como na Terra.

 

7 – COMO EXPLICAR ALGUNS FATORES DE PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIENCIAS SE REVELAREM GENIOS?

Aqueles que portam deficiências e que são gênios, se tivessem nascidos saudáveis, por certo produziriam muito mais em suas áreas específicas. Pelas conjecturas e não pela lógica, pode-se afirmar que a deficiência física pode não constituir entraves, podendo ser superada pelo valor evolutivo do espírito. Como exemplo, Helen Keller, cega, surda e muda, foi uma extraordinária educadora, vencendo suas deficiências dentro dos limites do possível.

Onde está o valor das deficiências?

O valor é o do espírito, que sabe que as deficiências, pela razão racional, são de alguma forma um entrave.

 

8 – COMO É A REENCARNAÇÃO DOS ANIMAIS?

Com referência à reencarnação dos animais, devemos eliminar as expressões de tempo e espaço que utilizamos atualmente para “sem tempo e sem espaço” e também o “conceito de ordem determinativa”, porque seria voltar a mesma programação do ser evoluído (homem). O animal não possui livre-arbítrio, mas um sentido mais apurado e que se desenvolve automaticamente a medida em que vai ascendendo na espécie.

O cão, por exemplo, terá que reencarnar dentro das suas limitações, suas possibilidades superiores, desenvolvendo um maior potencial e aproximando-se de uma outra espécie que lhe seja superior. É a evolução através das espécies. Ora, não sendo o cão um animal racional dotado de vontade, do sentido de autodeterminação, é óbvio que há uma lei, um processo que opera como a reencarnação do homem, mas que não obedece à uma vontade, e sim ao impulso determinante, pela necessidade da ascendência da espécie superior. Acredita-se, pela lógica, que a reencarnação dos animais inferiores segue uma lei no seu curso natural, não impositiva. Não atropela a realidade, mas espera que a criatura em evolução, irracional ou ser inferior, atinja as condições necessárias para ascendência a grau superior.

 

9 – A LEI QUE DETERMINA A REENCARNAÇÃO É VÁLIDA SOMENTE PARA O PLANETA?

A lei de reencarnação não é só para a Terra, tem uma abarcância total e absoluta no campo universal, variando, obviamente, com as condições evolutivas do reencarnado na faixa hipotética de evolução. É uma questão natural. Um espírito altamente evoluído não vai viver num mundo submundo e, em consequência da sua evolução, vive, labora num plano condizente. Isto, porém, não o impede de fazer um retrocesso esporádico, voluntário, de visita a planos inferiores e até, por vezes, querendo ajudar as criaturas que neles vivem. Muitos deles até fazem um esforço para reencarnar num mundo que, porém, não ultrapasse sua capacidade de suportação. Como por exemplo: Jesus. Isto dá o verdadeiro começo do sentido de livre-arbítrio, ou seja, o de laborar, operar onde seja possível.

 

10 – O QUE DETERMINA QUANDO O ESPÍRITO ATINGE A FASE DE REENCARNAÇÃO EM MUNDOS SUPERIORES?

Existem mundos superiores que variam ao infinito em números e condições. Ester mundos têm suas leis condizentes, que atraem os espíritos que portam vibrações e intelectualizações condinzentes ao “habitat” e isto protege, e evita macular o ambiente evolutivo desses planetas compostos de sociedade muito evoluídas.

Estes espíritos, que podemos chamar de “evoluídos”, já não mais podem conviver, no sentido íntegro, com criaturas inferiores porque em cada estado evolutivo do espírito emite uma onda magnética própria e condizente com o seu estado, mas o processo de reencarnação é o mesmo.

 

11 – EXISTEM ESPÍRITOS PUROS?

Há espíritos que atingem a chamada faixa de libertos, desvinculados. Não devem ser chamados de “espíritos puros”, porque dá a ideia de ponto final do curso evolutivo, o que é impossível. São os puros espíritos, libertos da reencarnação.

 

12 – O QUE SE ENTENDE POR “PURO ESPÍRITO”

Quando o espírito atinge as culminâncias da evolução com um acúmulo ou cabedal imenso de experiência de vida, vai automaticamente se libertando do corpo.  A partir dessa liberação total, o espírito passa a ter consciência de que não é mais um transformante. Pode ostentar a forma humana se quiser ou a que melhor lhe aprouver.

Entendamos bem: a forma e não a consistência.

É um “puro espírito” liberto da forma; ele é puro, livre, é puramente espírito, livre inclusive do conceito de forma denominado perispírito; abandona a forma mas continua laborando no terreno dos efeitos, das coisas materiais pelo conhecimento de leis superiores, podendo atuar junto à natureza, às plantas, às flores, modificar, etc.

A esta altura, são espíritos que estão num estado de evolução que o homem não pode sequer conceber.

 

13 – COMO É O PROCESSO DAS REENCARNAÇÕES CHAMADAS DE ORDEM SUPERIOR?

O processo de reencarnação é o mesmo. O espírito mais evoluído está no espaço e manifesta o desejo de reencarnar. Daí para frente, a continuidade do desejo entra no mesmo processo de reencarnação da Terra.

 

14 – “É POSSÍVEL DAR UM PONTO FINAL” À EVOLUÇÃO?

Não. Porque dar um ponto final à evolução, é dar um ponto final à eternidade do Criador, ao infinito. O Criador é eterno e infinito e, em consequência, sua obra é eterna e infinita. Obviamente a evolução do espírito, que se supõe ser criado para evoluir, não era nunca nem solução de continuidade, nem término.

 

15 – POR QUE O ESPÍRITO ENCARNA E POR QUE DESENCARNA?

Encarna para evoluir na prática. Na ação, no fazer no plano material e desencarna para evoluir na teoria, na preparação para nova reencarnação.

A soma da teoria mais a prática, resulta na evolução do espírito: meta única do ser humano.

 

BIBLIOGRAFIA

– Reencarnação – Instrumento da Evolução
– Caderno Cultural Espírita – Na 2 Edição 3 – Outubro 2003
– ICKS – Instituto Cultural Kardecista de Santos
– Livro dos Espíritos – Allan Kardec
– Iniciação ao Espiritismo – Therezinha Oliveira
– O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec
– O Novo Testamento
– Mensagem recebida pelo médium Ernesto Lira – Americana – SP, em 14/05/1991 – (Item V)