42 – Estudos – segunda parte

Basta nos conscientizarmos do pormenor”Eu tenho vida em mim mesmo” (Jesus), ou seja, trazer o “céu” para a Terra, dentro de si, para sentir a amplitude da evolução, quer no tempo, quer no seu desenvolver e nos seus resultados, até a meta pré-traçada para a Terra, e mais além.

O homem entrou há pouco tempo na era da ciência, e a cada dia penetra mais no cientificismo e na tecnologia aplicada, porém sempre em proveito material e, quando por este caminho atingir a meta pré-estabelecida, começará a desvendar o campo da psiquê, mas até que chegue aos limites preditos, demandará longo tempo, porquanto ainda estará se completando como racional. Somente quando atingida a sua plenitude e tendo através da ciência os profundos conhecimentos do potencial das leis que regem a ação da psiquê, estará em condições de adentrar às coisas do espírito.

Por psique não se entenda o “espírito”, mas sim as leis através das quais ele se exterioriza ao concreto. Em todos os atos do homem entra como legislador a psiquê, donde se conclui não ser ela o espírito. A psicanálise vale-se das exteriorizações através desse conjunto de leis, o que lhe permite determinar o estado do acionário(espírito) sem que, contudo, defina seu valor, quer no momento, ou em permanente (sentido evolutivo). Para facilidade de compreensão, convenhamos que este valor seja a personalidade e, ainda que em outra parte tenhamos feito alusão ao papel da psicanálise como possível selecionador da personalidade para questões pedagógicas, tenhamos em conta, antes de tratar-se da seleção fundamentada na exteriorização, e não na personalidade propriamente dita, porque esta é indevassável.

Tendo já entrado na ciência abstrata, agindo e reagindo pelas leis da psiquê, o homem poderá dizer a um leproso : “Sê limpo!” e ele será libertado (“Vós sois deuses” – Jesus). Ressaltamos também aqui a ausência do calendário humano. Terá em si desenvolvida a “força dínamo-psíquica” denominada “fé” que o colocará em condições de dizer ao monte: “Arreda-te e ….. “(Jesus).

 

FÉ E CRENÇA

Um tópico de difícil acesso mental para o homem é ainda distinguir entre fé e crença. O homem, até o presente, tem o mesmo conceito de ambas. Se aceitássemos fé em Deus como crença ou confiança, teríamos uma transferência de nossa própria responsabilidade, o que nos colocaria em dependência e o “Vós sois deuses” não teria motivo e nem sentido. O Evangelho, no seu espírito (essência), não recomenda esta dependência, mas ao contrário, concita-nos à “busca da verdade” e afirma o nosso auto-determinismo quando esclarece: “Direis àquele monte e ele se arredará”. A aquisição destes conhecimentos, leis que regem a exteriorização do “deus” incubado no homem, e seu exercício aos milênios, é o que hoje convencionalmente se denomina fé, confundindo-a com crença. É tal a sua capacidade de realização no campo abstrato “psíquico”, que bastará o insignificante “volume” de um grão de mostarda desse potencial aplicado sobre o concreto, para dinamizá-lo e sobre um somático para que ele de erradique toda enfermidade: Sê limpo” – Jesus. Ainda prevalece a inteligência do Grande Mestre, deixando transparecer não só na letra como na prática, o espírito de suas afirmativas, visto que, além de firmar sua autoridade de Mestre, não vinha ferir os conceitos vigentes na época, face conter a própria lei mosaica fatos relativamente idênticos: “Ide e curai os enfermos”.

“Tende fé em Deus” é o dizer de Jesus que, se entendido na sua “letra”, deslocará o potencial “Deus-homem” para a situação de eterno apêndice sem o livre-arbítrio e sem responsabilidade, pois que tudo o que vier a realizar não será de modo próprio, mas valendo-se deste suposto depósito de confiança, o que equivale a uma rogativa sem palavras, e Deus o substituirá realizando. Isto nos leva a entender que só pelo fato de crermos em Deus não é o suficiente para “realizarmos”, se considerarmos que este modo de interpretar nos conduz ao agraciado por seleção, em função da crença, surgindo o parcialismo na amplidão da justiça e, portanto, este pensamento está virtualmente desligado da evolução.

Ter fé em Deus é um segmento mais sublimado da evolução, porque situa-se em escala intelectual e sensitiva de incalculável valor, capaz de produzir frutos ainda não imagináveis pelo homem. Dentre todos os espíritos que passaram pela Terra, podemos dizer, sem sombra de dúvida, que Jesus é o único que já “tem fé em Deus” (“EU e o Pai somos um”). Temos aí, portanto, a consciência da integração homem/Deus, em escala evolutiva superior, onde tanto o viver como o acionário entram ao estado do abstrato. Integração, porém, em conservação da personalidade, sem tangente ao panteísmo. Ainda que para a ação sobre o somático não seja necessário o volume, pois o potencial energético no mínimo (grão de mostarda) é suficiente, porquanto “Tua fé te curou”.

 

O ESPÍRITO – ETERNO RELATIVO

O Espírito, ainda que chegado ao extremo da evolução, se este extremo existisse, sendo um ser criado e, portanto, um “eterno” relativo, não poderia acionar o abstrato concretizando-o em metamorfose. Isto pode se traduzir em que o espírito, por mais evoluído, ainda que como Jesus ou mais, não poderá dar forma no abstrato (criar). Quanto mais evoluído, todavia, passa a ter conhecimento das leis que regem a organização e, pelo constante adestramento, torna-se capacitado a imantá-lo, ao concreto já existente, independente do seu estado condensado, perispírito e outros, tanto na “quinta essência” como também no concreto propriamente dito.

O próprio perispírito não é criado pelo homem e nem “tomado” do planeta, porque já existe desde a “criação ou individualização” do espírito. Cumpre a este condicioná-lo à sobrevivência do somático no planeta, quer como irracional ou racional, desde a individuação até a sua condição de abstrato (sem forma) e literalmente livre da matéria, condição essa a que o homem denomina “puro espírito”, embora convencionalmente aceito pelos evolucionistas. Evidencia-se este fato na “multiplicação dos pães e dos peixes” que no acontecimento desempenhou o papel de “núcleos imantadores” das partículas que o Mestre, no uso de sua “potência energética”, na ocasião centrípeta, atraiu sobre tais núcleos as partículas “cósmicas”, as quais agregaram-se à matéria, aderindo a sua forma e estado num crescendo contínuo, até que seccionada a corrente imantadora, cessaram seus efeitos.

O milagre só existe para os que ignoram os fatores.

Quem pode “dizer àquele monte….”também pode dizer à “tempestade”, que sendo energia concretizada em centrípeta, recebe o impacto da centrífuga, espargindo-se. Já entra hoje em cogitação na ciência dos homens o domínio das intempéries……

 

DINAMIZAÇÃO DO INTELECTO

É natural que no estado de inteligência em que se encontra, o homem tenha necessidade de recorrer ao manuseio do concreto pelo instrumental, o que se constitui num indício de que a potência intelectual incubada tende a manifestar-se de alguma forma. É impossível ao consciente e livre pensador, observando o ontem e o hoje, desassociar o realizado dos destinos do homem quanto à evolução. O maior cego é aquele que não quer ver.

A ciência em ação no progresso, visando o bem-estar material, tem seu limitador no próprio limite da inteligência. Assim como no material, também no “abstrato ou na psique”, importa o teor acionário intelecto, levando a definição dos conhecimentos e exercitativo para a obtenção dos resultados. Sem conhecimentos e sua prática, mesmo nos confins da evolução, o espírito nada pode fazer. Se assim não fora, tanto o progresso material, que é unicamente fruto da inteligência, quanto a sua valorização referendada por Jesus na semeadura a que produzisse ao cêntuplo, não teria necessidade nem motivo. Produzir ao cêntuplo não indica “produção em massa de atos de benemerência” como meta, porque a evolução visa o “ser” em íntimo, independente de sua exteriorização.

Desde os primórdios da razão, quando o homem já demonstrava alguma habilidade, “habilis”, até o presente, a evolução tem se constituído em sobrepor-se ao bravio do “habitat” em busca de melhores condições de vida, e isto só pelo compulsório. Os efeitos deste compulsório levam o homem ao raciocínio querendo o discernitivo de que passa ao experimento, e daí à realização. Este processo é que tem sido a dinamização do intelecto, consumando num despertar constante e mais abrangente. Quanto mais extensiva e ampla for a perspectiva, mais fatores comporta, donde o complexo do existir de maneira mais inteligente e confortável, requerendo em relação exata o acionar da inteligência para a conquista e, nesse sucessivo, temos o progresso e maior desenvoltura intelectual.

Deus sabe o que faz, independente dos conceitos e opiniões do homem.

Só a inteligência realiza …. e realiza-se também em espírito.

 

MATERIALISMO – ESPIRITUALISMO

Desde que o primata vem ascendendo pelos meandros da evolução, o “espírito primata” vem se desenvolvendo em inteligência. Se esta não fosse a geratriz das conquistas do “espírito”, quer no material até agora, e no futuro em escalões superiores, bastaria o virtuosismo sobre a ignorância para que tudo estivesse completo. Todavia, se o processo existe, não será por mero diletantismo do “Fator Absoluto”, acrescentando-se ainda como imprescindível, a sobrevivência no somático.

Existindo a parte matéria e observando-se o seu avanço em termos de progresso, pergunta-se por que e para que, se como entendem alguns, “são coisas materiais” sem influência decisiva sobre o evoluir do espírito. Este pensamento peculiar aos espiritualistas tem a tendência de separar em dois itens a mesma obra e o mesmo destino proposto pelo Criador. A este processo material concretizado pelo único fator inteligência, dizem materialismo, assim como o culto a uma divindade e a prática do que dizem deveres “sagrados”, interdita ou separa da ação sócio-regente, espiritualismo constituindo processo e objetivos à parte nas “religiões” sendo, portanto, unilateral em seu todo. No materialismo não prevalece o “amai-vos”, mas antes e acima de tudo, o interesse de usufruto imediato para que o “espírito” sinta-se satisfeito e seguro no transcurso da existência terrena. Assim, o homem “vende” o produto de sua inteligência, o seu trabalho, cujo rentável aplica em benefícios “exteriores”. Neste particular, não importa o “sentimento” com que aja, porque só o fruto carreia proventos. Fica, portanto, delineado com clareza que o materialismo entra em concerto de “obras”, sem cuidar do obreiro. São transações com mercadejáveis, em que se pretende ofertar o mínimo, quer em quantidade e qualidade, e ganhar o máximo em pecuniário. Quanto ao labor propriamente dito, procura-se explorar ao máximo o homem. Através das condições em que se encontre, quer quanto as prementes necessidades, quer quanto a ignorância. Fica, portanto, confirmado que no materialismo “cada um recebe segundo suas obras”, ou obras que sua inteligência permita realizar ou exteriorizar. Abstração feita no desonesto, em nossa referências, embora muito se consiga através dos meios escusos

Genial a concepção do emblema da Justiça, pois os pratos não refutam pela qualidade, o peso que há de oscilar o fiel da balança. Extraordinária alegoria da violência que destrói, mas não justifica a espada. Os olhos vendados inutilizam o sentimento de humanidade e compreensão pelo automatismo da ação. E quase sempre dependurado na parede, o último instante do Mestre, em que define a verdadeira justiça entre os homens: “Pai, perdoa-lhes….”

Vemos que no materialismo não se propõe análise do íntimo de que procede a obra, desde que esta preencha os requisitos.

Volvendo ao Evangelho, ao nos fixarmos apenas em sua letra, estará explicada pelo próprio materialismo a expressão: “Cada um receberá segundo suas obras”, visto que não cogita do obreiro, na questão.

Como entender? Onde termina o materialismo e começa o espiritualismo?

 

A FÉ SEM OBRAS É MORTA, MAS A OBRA SEM FÉ MORTA É

A obra no “Espiritualismo” entra sob o título de caridade até o presente, mas não se desassocia do “cada um segundo suas obras”, em sentido de paridade ao materialismo, porque é “dando que recebemos”. Se recebemos, somos retribuídos por algo que fizemos, e este receber vem do exterior em forma de compensativo pelo trabalho ou desempenho que, de alguma forma, foi útil ao nosso semelhante. Este receber é o preço desse algo, ou dessa obra. Do materialismo diferencia-se apenas na parte pagadora e a moeda com que é paga. Em tudo o mais a este se iguala. Baste este fator para sentirmos que o obreiro não se integra na obra, mas opera no mecanismo da mesma, envolvido sensorialmente no interesse da rentabilidade. Por este proceder evolui o espírito? Não, absolutamente não, mas se ilude. Sendo a fé o energético “vida”, que só quando “vivida” dá “vida” à obra, aumenta-se em potencial pelo exercitativo, além de mantê-lo “vivo” e, se não aplicada sobre a obra, queda-se em inútil porque não sendo “usada”, não será dada vida à obra e, como fé não aplicada a obras (sem obras) é morta, pode-se concluir da sua continuidade na inércia. Vemos que o propulsor “único” que qualifica a obra como fator de evolução vem do “íntimo”, do que o espírito já é, e só a aplicação desse fator energético fé ou vida, poderá aí tornar-se a causa de efeito igual e direto. Desde que não provenha deste estado natural como causa, e que seus efeitos não sofram a influência determinante, teremos um mecanismo acionado apenas por exterior rentável e não “vivido”. Substitui-se, portanto, a moeda e a fonte pagadora no “materialismo espiritual”, querendo-se espiritualismo. Fundem-se assim, Cesar e Deus num único cadinho, pelo fogo da ignorância e da inconsciência. Mesmo nas conquistas materiais, prevaleceu e foi vivida a fé pela integração do espírito à mesma, sem o que jamais despontariam na inteligência os seus realizadores. Ainda aqui não nos permitimos a confusão entre fé e crença.

A fé é uma energia positiva, de si e por si atuante sobre o objeto, de maneira direta (“direis”) quando o homem já possuí-la em Deus, ou seja, quando ele e o “Pai forem um”. É, porém, acionária indireta quando não tenha chegado a tal estágio evolutivo (“grão de mostarda”), mas através do somático, “cérebro-inteligência para o descortinar e acionar”.

Tendo em conta que todo resultante da evolução é unicamente sobre o espírito, e não “para” o espírito, vindo do exterior, e que este, portanto é que deve de alguma forma usufruir, em inteligência, moral e sensitivo o benéfico do ato, não resta dúvida que, se “morta”, entende-se não resultável em tais efeitos. Neste ângulo de raciocínio está implícita, portanto, a validade do “intelecto e sentimento” do ato. Não se infira daí o retributivo no seu sentido lato, mas sim no despertador do aditivo sobre o que já existe, que vem esclarecer o “tesouro no céu”, pois que céu não se configura como lugar e seu ambiente, mas é o que o espírito é. Temos, pois, que a fé é a “vida do espírito”, desde que entendemos a sua transferência  em obras, como exercício constante, e a este vivificando. Se compete à obra vivificar a fé, este retorno só poderá efetuar-se em teor qualitativo e constitutivo exatamente igual. Como para o espírito importa desenvolver a inteligência, a moral e a sensibilidade, dessa obra não poderá refletir outro efeito, donde agora importa “o obreiro” espírito, independente de lugar, ou outro qualquer quesito, mas unicamente do íntimo espírito como usufruente.

Trata-se, pois, de efeitos não concretos, digamos, abstratos em seu geral, penetrando no “usufruto” como efeito, o que se distancia, e muito, do retributivo advindo pelas obras, como conceituado até o presente. Se curvamo-nos ao que no presente é tido como certo, ou seja, as obras como fator de tesouro no “céu”, em conseqüência, divorciamos o estado “intimo espírito” e damos o céu como lugar e ambiente. Se do ato não refletir o intelecto emotivo no momento, teremos o ato sem vida e esta será substituída por um “suposto”no amanhã. Embora realizando, não o “vivemos” (“Vai, faze o mesmo e viverás”).

 

CARIDADE

A expressão caridade, não o sentimento, tem demovido inúmeras pessoas a ações que por estar nos limites religiosos, são ditas de benemerência e outras denominações distintivas do social humano.

Não repudiamos tais atos e nem os comentamos tampouco, mas diremos deles que apenas são antissociais e desumanos. Antissociais, porque cuidando do que já é, descura do preventivo, permitindo a continuação da carência, não se dizendo dos que exploram a desgraça alheia como material prestável à sua ascensão a Deus ou sua própria evolução. A erradicação deste estado de coisas importa não no caritativo, de “remendos novos em roupa velha”, mas em gigantesca obra sócio educativa do homem, nos albores da existência terrena (infância).

O “dando é que recebemos” não estipula o que dar e o que receber, mas o “amai-vos uns aos outros” indica semelhança, igualdade, afeto e não nos parece que este proceder ditado pelas religiões, bem como hoje o “suposto evolucionismo” e sua prática, possam traduzir verdade. Vemos que não estipula o que dar, mas “como dar”, e ainda que se cuide de todos os carentes, ainda que se proporcione todo bem-estar a todos, prevalecendo a intenção da caridade, não se constitui força evolutiva em espírito e do espírito. Toda e qualquer obra social, por mais efetiva e construtiva que possa ser, ao titular-se benemérita caritativa, ou alicerçada em conceitos religiosos é, por princípio, desligada da fraternidade. Ainda que se envolva a majestade da “obra” em docilidade, bom trato e carinho, prevalecerá sempre para o carente, o sentimento de humilhação, como um destituído dos inalienáveis direitos, como componente da sociedade e como ser humano.

Imaginemos uma sociedade eminentemente “cristã”, onde os eternos carentes e os caritativos estejam convivendo juntos, sempre dependentes destes. Será isto a legítima força do amor pregada pelo Mestre?

“Os pobres sempre os tereis” contém outra dimensão dentro do Evangelho, como veremos oportunamente.

À não aceitação desta desigualdade elementar ou material, e isto é tábua de honra para o evolucionista, está implícita a igualdade …..

Aceitaríamos nossos pais e irmãos dependendo da nossa caridade? “Quem são meus pais e meus irmãos”?

Imaginemos a evolução do universo na dependência desses princípios unilaterais e ambíguos, porque se desajustam até no mais elementar do conjunto progressivo, base da própria evolução.

 

CIÊNCIA E RELIGIÃO

A religião jamais “marchará em paralelo à ciência”, mas será por ela suplantada e se diluirá no tempo. A “era Nazarênica” tem uma só e única linha de ação, que é científica, pois o seu início, há mais de dois mil anos, deu início também à era da inteligência. Nem a ciência foi, é ou será fruto de religião, e nem religião será, como não foi e não é, fruto da ciência.

Onde fala a ciência silencia a religião.

Onde fala a religião não cabe a ciência.

A ciência, fruto da inteligência, palmilhando pelos caminhos da busca, conduzirá o homem na eterna ascensão evolutiva, dando-lhe a conhecer pela razão e consciência, em espírito e verdade a imensidão do universo, as maravilhosas leis que o regem, eternas e imutáveis no tempo e espaço, bem como a grandeza do Fator Absoluto (Deus).

Não existem leis de Deus e leis dos homens, como se pretende, porque tudo é em função das evolutivas, e todo ato é fruto do “estado de inteligência, razão e consciência, em que se encontre na escala evolutiva”.

Se existisse lei de Deus como a tida pelas religiões, um só e único homem não estaria sendo por ela regido, mesmo o mais santo, o mais beato, o mais religioso, porque não sente o que pratica e nem vive, assim como não vive o que sente, mas age, reage e opera, sempre em objetividade ao exterior, ao amanhã, seja céu, bem-aventurança e o tornar-se mentores espirituais, quanto ao positivo. Quanto ao negativo, o livrar-se do “inferno ou umbralinas”, tem muito mais profundidade e força concitativa, porque são sempre apresentados com cores mais vivas e aterrorizantes.

Ainda que se proponha como lei de Deus os mandamentos acumulados dos reguladores de cada religião em particular, estes não têm outro sentido que não as mesmas coordenadas legislantes sociais,diferenciando-se apenas em seus resultados que, para a sociedade, entram no viver em harmonia, consideração e respeito estabelecendo em uníssono ou homogênio e, para as religiões, o “dito”evolucionismo, o que já antes nos referimos, ou seja, o retributivo exterior, céu, inferno, umbral, núcleos etc.

Poderíamos admitir ciência como fator de religião, se para tal compreendêssemos o alevantamento moral e cultural da criatura, literalmente desligada do proposto pela mística, que é o virtuosismo aplicado em superfície e motivado pelos prometimentos. A religião que leva à intelectualização e moralização sem injunções coercitivas, poderá ser tida como tal e, obviamente, terá cabida em qualquer mente que raciocine, ainda que mediocremente. Entretanto, as injunções coercitivas que são impostas através das “umbralinas e purgatoriais”, fogem ao princípio elementar do livre-arbítrio e contradiz frontalmente o convite à busca da verdade.

 

BUSCA  DA  VERDADE

Considerando como único objetivo a “busca da verdade”, pela qual surgirá a libertação, nos acodem três pensamentos distintos: o primeiro, se devemos nos libertar PE porque estamos jungidos a algo que nos tolhe o direito à liberdade. O segundo, é que sendo a verdade que nos há de libertar, lógico será que, sendo homens e limitados pelos cinco sentidos, através dos quais analisamos tudo que possamos ultrapassar os seus limites, por certo a verdade estará dentro do possível ao homem. Sendo a busca o único caminho a ser seguido para o encontro da verdade, esta busca deverá por força da lógica, estar condicionada como todas as demais, dentro das deficiências de que advirão erros e acertos, até a conclusão irrefutável. Como verdade temos o que seja analisável pela razão e consciência e tenha como resumo irreversível a lógica.

Toda busca deve inexoravelmente obedecer a leis determinantes do processo, as quais obviamente serão devidamente equacionadas e conhecidas para que se tornem operatrizes.

Acolhendo a evolução como meta única de toda criação, é claro que a liberdade tem como fator essa mesma evolução. Sendo ela um gradativo contínuo no tempo e espaço, por associação teremos que a verdade também o seja, donde a libertação também o será. Se a busca requer conhecimentos e compreensão da operatividade das leis que nos levarão à verdade, nisto está contida a inalienável intelectualização. Se o conhecimento e compreensão da verdade nos libertarão, evidencia-se aí o fato de que somos escravizados pela ignorância.

Aqui entramos a confirmar a inexistência de dois pensamentos e duas ações, ou sejam, as leis de Deus e as leis dos homens.

Se a libertação provém do conhecimento da verdade e esta só será conhecida através da busca, não resta dúvida que compete ao homem o trabalho e a pesquisa pela elucidação. Ninguém em sã consciência pode admitir que o ignorante, desvalido de todo recurso científico, tenha qualquer possibilidade de levar a termo tais exigências.

Ao estudarmos o Evangelho no seu espírito, encontramos amiúde, advertências até bem claras que, sem cultura, dificilmente será dado ao homem entender o motivo do existir e o porquê da evolução. Declaram-se aqui três pontos que, levados em consideração, deixam em lucidez a tese evolutiva.

O primeiro, face à busca que deve ser compreendida pelo homem, cumpre uma desenvoltura intelectual à altura.

O segundo, que ao assenhorar-se do segmento “verdade” compatível ao estágio Terra, em si só não conclui como libertação, pois que esta não se diz em grilhões materiais exteriores, mas sim do interior, daí concluirmos que, depois de conhecer a verdade, importa vivê-la, o que demanda tempo e exercitativo. Neste item é que entram os sábios conselhos do Grande Mestre Nazareno, como fator do exercício do que já conhecemos e, vividos estes pela inteligência, através dos canais razão e consciência, passará o homem a “ser” como no-lo indica o sábio Saulo de Tarso.

O terceiro, nascido dos antecedentes, é que só o que entra ao formativo, pela razão e consciência, permitindo uma vivência íntima extravasada em espontâneo, como sendo o “ser”, pode ser considerado como evolução. Disto depreende-se que a evangelização aplicada ao que é, como está, só prevalece como um condicionador mental, que é sempre mantido pelos acenos com as recompensas ou os sofrimentos. Isto não fala ai íntimo em razão do próprio íntimo, como constitutivo natural e, sendo assim, não entra a compreensão do “porque” e do fato, sendo apenas o evangelizado em “responsabilizado inconsciente”, e não um “autorresponsabilizado” pelo esclarecimento com bases na lógica, ou como querem, “fé que entra ao caciocínio”. Se entra ao raciocínio, entra à inteligência, à razão e à consciência, o que não pode ser ditado por ninguém, mas descoberto, analisado e entendido.

 

A  CULTURA  E  O  EVANGELHO

Não se compreenda do nosso dizer sobre cultura, tratar-se de literatura dita espiritual de qualquer ordem, ou massudos compêndios das supostas ciências dantes chamadas ocultas, e hoje espargidas sob pomposas denominações, querendo-se ciência.

Cultura, em entendemos a científica utilitária, dissertando-se sobre o comprovado, em matemático e lógico e, como tal, irreversível. Dizemos irreversível para o tempo e fato, visto que a evolução, embora não modifique as bases, vai permitindo maior ângulo de discernimento e conclusão.

Dissemos utilitária e não rentável, termos estes que distanciam, e muito desses dois conceitos, sendo um o viver da cultura e o outro, para ela viver.

Não devemos confundir catequese com evolução. Ninguém pode entender de medicina sem que antes tenha passado pelo curriculum escolar que antecede a faculdade.

Se o Evangelho, no seu espírito, um “tratado do mais alto teor evolucitário”, jamais poderá ser entendido, definido e “vivido”, sem que antes a inteligência esteja suficientemente  desenvolvida por uma cultura sólida e livre de injunções catequisantes.

O Evangelho não conduz o cego pelos caminhos que se supõem em rumo certo, mas constrói a personalidade coletiva, pela soma das personalidades individuais. Todas as culturas específicas e unilaterais entram ao místico poético, empírico, sem consistência, senão numa ou em algumas épocas, imergindo-se naturalmente ao esquecimento. Todavia, a cultura realística operativa que, de alguma forma, concorre para o progresso, a cada tempo dilata-se, renova-se em conceitos, num avanço constante.

As ciências diletantistas e elitistas por excelência em nada contribuem para o progresso da massa.

O Evangelho é um e único, é o necessário, completo e bastante para orientar a humanidade em seus objetivos e meta evolutiva. Não é um complementativo de Bíblia e tampouco necessita de outro que lhe complete como vasado sob qualquer filosofia. Entra e fere a problemática científica social em todos os seus ângulos e aspectos, e não se constitui de nenhuma forma Lei de Deus, mas sim um remodelador das próprias leis sociais. Imprime a característica intelectual sobre todas como determinante fundamental e esclarece da nulidade em se tentar esflorar o seu conteúdo espírito, sem que antes a humanidade tenha atingido um grau de cultura suficiente. É por excelência um código que destrói preconceitos e pretende a igualdade desde o elementar para sobrevivência na Terra, levando todo homem à condição de dignidade como criatura humana. Além de propor uma justiça de compreensão e tolerância que resulta no perdão, a sua prática é simplesmente impossível até a época atual. É a pérola referida …….

 

O  CONSOLADOR

Quando Jesus diz que seria enviado o Consolador, deixa bem claro que não se trata daquela que vem “confortar ou propor confirmação”, mas o que viria esclarecer aquilo que na época (e por época não se tenha o tempo em que Jesus esteve na Terra) não podia ser compreendido, face ao alevantado conteúdo científico e moral.

Quanto ao que cabe ao homem realizar, o Evangelho é completo até o advento do espírito, que no caso, ultrapassa a meta das simples realizações. Jesus disse ao homem até a sua capacidade de suportação (compreensão), mas quanto ao espírito que a verdade contém, sobreviverá quando completo o primeiro estágio, atingindo a mansuetude. Não se trata de uma ou mais entidades desencarnadas (espírito), mas sim da íntegra, da essência, do real que a verdade traduz. Estará, porém, o homem apto a conhecer e compreender o mais transcendental, o que será a vida já entrada em psíquico, ou seja, em espírito e verdade.

Em termos usuais, terá começado a palmilhar a vida em outra dimensão, que outra coisa não é senão a alta intelectualidade, envolvida em sublimada sensibilidade.

O intercâmbio corpóreo-incorpóreo que hoje entra para o miraculoso pela mais singela demonstração, faria parte do cotidiano, de que advirá a verdade pela instrução e entendimento ainda do Mestre, de maneira direta. Jesus não determina um intermediário, mas a capacidade de compreender, pois se a promessa do Consolador, ou diga-se esclarecedor, se substanciasse numa ou mais pessoas, espírito, desnecessária seria a busca dessa mesma verdade pelos meandros das reencarnações e pelo desenvolver da inteligência, tendo como efeito o equilíbrio razão-consciência.

Consolar é insuflar ânimo a que subexista a conformação com o que é, como é, ao passo que o Consolador Prometido tem a incumbência de “guiar” para toda verdade e, como o evoluir só cabe à própria pessoa porque transmitimos ensinamentos e não compreensão, temos qeu só essa compreensão poderá ser o fator do encontro da verdade em seu espírito. Tenhamos sempre em conta que conhecimento e compreensão são aquisições abstratas e, como tal, pertinentes à mente ou inteligência, o que se compreende como foro íntimo ou “céu interior”. Podemos ler,estudar e pesquisar, mas os efeitos reais só subexistirão em razão direta e correlata à capacidade de entendimento, discernimento e conclusão. Falam aqui, portanto, a inteligência, a razão e a consciência e nada mais, quando será o dia em que “o espírito de Deus estará derramado sobre toda carne”.

Ainda que o progresso material e as leis sociais possam parecer desligadas do que se tem como evolução, não estarão em realidade, porque tudo absolutamente tudo o que o homem extrai da sua inteligência, em seu benefício, constitui as realizações concernentes ao estágio primário (preparatório-intelectual) a que possa, sem alarde e de maneira imperceptível, ir penetrando à era do “espírito” da verdade. O espírito que a própria verdade comporta.

Nesta época, pela continuidade da busca, agora alicerçada na razão e consciência, terá o homem o conhecimento desse espírito, como resultante da lógica.

Não nos esqueçamos, todavia, de que tanto a razão quanto a consciência, só serão completos quando o homem completar-se como racional, e que mesmo para este estágio, terá a verdade limitada a este fator. Não se trata de “divinas” verdades, ou verdades “espirituais” de cunho religioso ou místico, desassociado do realismo vivencial, mas sim do conhecimento das leis que até esse estágio, regem toda a natureza, bom como o seu destino, em toda a criação e, deste cabedal de conhecimentos, os quais serão exercitados, obras, redundam no sublimado sensitivo, traduzido em moral ilibada.

Como vemos, o espírito da verdade não é o espírito portador da verdade que num simples compêndio, eivado de fragilidade, querendo que seja elucidação de amplitude evolutiva e possa ser tida como condutor a essa mesma verdade. Abstração feita aos conduzidos, toda mente livre e que sinta o processo histórico evolutivo da humanidade, apercebe-se de pronto que tudo quanto se pretenda equacionar, em unilateral, ainda que semelhança científica, mas acomodado ao religiosismo, foge literalmente à verdade.

A religião foi válida como hipinose contensiva em seu tempo, o que vem sendo reduzido em seu termo e tempo, pelo próprio progresso, que se alça ao superior (não aos divinos), pela desenvoltura intelectual, em parâmetros científicos. Não se trata aqui de “ciência espírita”, ou espiritualista, porque esta entra pelo ângulo dos informativos, misturando-se ao virtuosismo, sem que até o presente, se traduza em fórmula concreta, visando a reformulação das leis sociais de aplicação prática e efeitos conclusivos. Tem, isto sim, pelo informativo sem comprovação efetiva, enovelado a mente do profitente, em “remendos novos” sobre o velho já existente. Isto é o negativismo da verdade e do seu próprio espírito, em confronto com a realidade em que vive o homem.

Não confundamos o que dizemos informativo, produto literário teórico, com a mecânica mediúnica, quando autêntica, porque esta é um dispositivo somático independente da situação do portador na escala evolutiva dentro da faixa de tolerância  e ainda que verídica, o seu produto pode ser discutível, dependendo do ângulo de referência em que se estime a questão.

Aqui tratamos de evolução, com o que não concorrem os referidos literários, embora venham estes a servir de estímulos à continuidade da benemerência-esmola ou caridade, que dizem tão só e exclusivamente aos seqüentes religiosos (diametralmente apostos à problemática evolucitária). O concitante deles provindo, estreita-se nos limites do unilateral, deslocados do eixo sócio-progressivo e, enquanto o espírito evangélico dita sem preâmbulos a condução do homem, a sua dignificação no concerto social, estes imperam em letra, dando continuidade ao esmolismo, permitindo a existência do marginalizado material e moral, dando-os como acervo substancial de usufruto como escala à ascensão evolutiva dos caridosos.

Irreverência contestável, quando pretendem ser arautos do Evangelho, de cujo espírito se dizem profundos e eruditos conhecedores. Se “pelo fruto se conhece….” a evolução não se fundamenta em hipóteses, mas antes, concretiza-se em fatos e, como fatos, só os que a razão coletar, encontram acomodação na lógica.

O Evangelho em seu espírito (“e somente deste que devemos nos valer e não da letra”) não é ajustável nem aos conceitos e a práticas, tidas como fraternidade e encerrados num âmbito doutrinário.

 

Irmão Anthero

(recebido por via mediúnica)