68 – A Obsessão à luz do Evangelho

Prevalecendo a obsessão comprovada nos Evangelhos e, após refutarmo-la como instrumento de vingança, é de nosso dever retornar, esclarecendo à luz da razão e acobertados pelo próprio Mestre Jesus.

Não há, em todo o Evangelho, um só fato que traduza vingança pela obsessão, mas apenas reporta-se aos efeitos, porquanto a obsessão fundamenta-se estritamente na lei básica de intercâmbios, que é a de “atração e repulsão”, comumente denominada de “afinidade”.

Por esta razão podemos afirmar que obsessor e obsediado igualam-se e completam-se em termos de vibração condizentes que, traduzidos, nos dão a coordenada moral de ambos.

Sabemos que todo espírito, independente do seu estado, estando fora ou na carne, é um “emissor” e “receptor” de vibrações e que estas seguem em horizontal, determinada faixa “x”. Exemplificando: vibrando o espírito na faixa de “x” metros, possui um potencial equivalente em intensidade a essa dita faixa e, portanto, um espírito vibrando numa faixa “x”, jamais poderá ser atingido pelas vibrações inferiores da faixa “x”, em moldes que lhe possa perturbar ou prejudicar a harmonia vibracional.

Esta dissonância indica, portanto, inferioridade e superioridade, onde a ausência de afinidade imantadora implica em lei, e, como toda lei de ordem evolutiva, não permite insulamento concreto de grupo ou indivíduo. Sendo elástica na sua faixa de tolerância, permite a convivência de unidades mais ou menos equivalentes em vibração, dentro da realidade heterogênea do próprio âmbito social terreno e, por extensão, ao etéreo.

Importa entendermos que no caso de vingança de encarnado para com outro encarnado, a defesa resulta em atitudes tais como: a fuga, o revide à altura, ou o comportamento dentro da legalidade.

No caso de vingança do desencarnado contra o encarnado, a defesa também não ficou desprovida de recursos, o que está bem claro nos Evangelhos na “oração e vigilância” (se vingança houvesse). Este ensinamento do Mestre não se circunscreve a um ato determinado, em função do fato como defesa, tampouco se reduz à “oração-palavra” ou “vigilância-pensamento” em um momento, não sendo, portanto, uma atitude específica, objetiva. Comporta, sim, este dizer do Mestre, em completa transformação de caráter e sentimento em permanente, o que leva o espírito a elevar a sua intensidade positiva vibratória, colocando-a em dissonância ao pretenso vingador.

Quando dizemos da evolução não a emolduramos nos preceitos religiosos, porque todo pensamento e ação, ainda que de ordem material, de cunho sério e construtivo, leva a mente do homem a não dar guarida a futilidades ou sentimentos bastardos, o que o imuniza, consequentemente, das vibrações inferiores daqueles que, por abrigarem desejos inferiores alimentados pela ignorância, já estão em dissonância com o sério e honesto labor.

Sendo a vida no planeta uma sequência natural de lutas e trabalhos, aquelas e estes têm extraordinária relevância como imunizadores. Mesmo que alguns não queiram, a realidade palpitante do dia a dia nos demonstra, de maneira cabal, a veracidade do que afirmamos. Se assim não fora, teria o homem que descurar dos seus afazeres, das suas preocupações naturais, para viver em constante oração, ou então, trocar o seu campo de trabalho pelo adro dos templos. Não é sem motivo que Saulo de Tarso nos recomenda colocar todo o espírito em todos os desempenhos.

Antecedendo a tudo, devemos ter em conta que o Mestre Jesus jamais fundou uma seita religiosa ou deu conceito de doutrina aos seus ensinamentos, mas sim, pregou a responsabilidade do homem para com o homem, em caráter de irmãos e não definiu a “oração e vigilância” como eternas rogativas místicas. Fala a própria razão que todo ato, pretendendo labor honesto, situa-se como oração, cheia de espírito e verdade: “Meu Pai trabalha até agora” (Jesus).

Partindo daí, teremos que toda criatura a quem não sobeja tempo para diletantismo imaginativo deletério ou de nível moral inferior, não favorece e nem poderia dar oportunidade à aproximação vibracional de entidades que possam oscilar a sua mente em sentido negativo, ao seu bel prazer. É lei que “a cada vasilha o seu volume”, e desde que o homem ocupe-se de coisas sérias, tem a sua mente repleta das mesmas, não cabendo estultices.

Devemos ainda considerar que, pelo fato de um homem não se deitar e se levantar orando, não frequentar templos ou centros espíritas, não trazer o Evangelho (Bíblia) sob as axilas, não praticar a chamada caridade religiosa (específica e objetiva), deva ser tido como descuidado, porque inúmeras vezes, enquanto os temeratos assim agem, a mente daquele está repleta de fórmulas a serem solucionadas para sanar a dor dos seus semelhantes, ao lado de outros, preocupados com quesitos de ordem social para trazer melhoria de vida aos demais. Mestres humildes e catedráticos que se completam na transmissão das luzes do saber, tanto uns como outros, portanto, “oram e vigiam” constantemente, no “templo” do amor ao próximo desconhecido, e esquecidos de si mesmos.

“Aquele que perder sua vida por amor a mim (ensinamentos) encontrá-la-á…” e isso não se limita ao heroísmo cristão do martírio transitório, acidente por vezes decorrente da política de uma época, levado ao crédito evolucionista pelos interesses de organização religiosa, reproduzido “in Fidelis” inconsciente nas páginas do romantismo literário evolucionista.
Em que pese estarem os Centros Espíritas superlotados de “obsediados”, podemos afiançar que, de dez mil casos, UM pode ser considerado como tal. Quanto aos demais, ou trazem o estigma do desequilíbrio célula-magnético (enfermidade), cujo étimo tanto pode ser orgânico propriamente dito, quanto neuropsíquico, ou se situam como desordem sensitiva, com reflexos mentais sem desequilíbrio orgânico, mas em nenhum caso, dos chamados impropriamente de “obsessão”, prevalece a vingança intencional, objetiva, direta, impositiva.

Dentro da realidade inconteste, se alguém se propuser a um trabalho sério de busca, de análise e de comprovação, encontrará sempre uma causa originária de tais efeitos e, na maior parte das vezes, promovida por terceiros ou auto-promovidas pelo rol de frustrações, inconformismo, etc.

A sensibilidade do espírito (salvo nas enfermidades) é, no caso das frustrações e situações, semelhante à auto-promotora, o que quer dizer que todo ato do “obsediado” em questão advém como exteriorização do íntimo componente.

No caso em que tal exteriorização se processe por promoção de terceiros, o espírito “vítima” torna-se um assimilador compulsório, que reage mais no sentido de vingança contra os impositores ou fuga à coação.

O que é tido como obra de “obsessores” desencarnados, em quase sua totalidade, tem por motivo obsessores encarnados, conscientes ou não, e na auto-obsessão com base naquilo que o espírito tem como razão-motivadora de ação quando contrariado.

Tratamos aqui das criaturas que são tidas como normais, enquanto não se apresentam as distorções, e os “obsessores” aqui referidos podem ser tanto individuais quanto coletivos, sendo que no primeiro caso restringe-se ao círculo de relações da “vítima”, e no segundo, às injunções da própria sociedade, no presente transitório em que vive.

Casos existem, entretanto, quando da inexistência de tais determinantes no presente, mas não encontrando a criatura âmbito modelador ou termos de cultura, educação e moralização, venha a reaflorar na situação da encarnação próxima passada, daí resultar que devemos considerar como de alta valia a condução paterna (de Deus), desde a iniciação à vida no orbe. Casos existem ainda em que mesmo prevalecendo a ação paternal (de Deus), o espírito não a assimila convenientemente, predominando os reflexos antecedentes, não existindo em nenhum caso renitência consciencial, mas sim o estado evolutivo do próprio, carecendo, portanto, de inúmeras reencarnações educativas. Para tais fins é que elas existem.

ETIOLOGIA1 DA OBSESSÃO

Em todos os casos, o lastro é a carência evolutiva. Os Centros Espíritas que se propõem ao trabalho de desobsessão não titubeiam em imputar aos desencarnados toda responsabilidade dos fatos, o que não encontra apoio tanto doutrinário quanto da ciência psicológica, preponderante na maioria dos casos. Não se apercebem que se um ou outro caso se situa no âmbito obsessivo, este não pode contrariar a Lei de “atração e repulsão” ou afinidade, tão bem definida, pela qual o “obsessor” soma sua gama fluídica à já existente no núcleo imantado (obsedado), com o qual comunga por tendências afins e situação evolutiva idêntica.

Os afins se atraem e, para tanto, necessário se faz que o “obsedado” esteja consciente dos seus atos, neles se deleite, se compraza e, no decorrer do tempo, o fiel da sua balança mental oscile entre o corpóreo e o incorpóreo, em conjunção mental ao que se assemelha.

Admitir a vingança é contrariar frontalmente uma das leis fundamentais regente de toda criação, inclusive o homem.

Mesmo que um espírito desencarne levando rancor e desejo de vingança, jamais influirá consciente e objetivamente sobre o encarnado promotor de tais sentimentos. Entretanto, se o encarnado continua a manter os padrões vibratórios de baixo nível moral, poderá atrair o rancoroso, que por similitude (inconscientemente) somará suas vibrações ao encarnado por quem é atraído, redundando no excesso de carga magnética emitida ao somático, proporcionando ações a princípio anormais (resposta ao apelo intelecto orientador) e a continuidade consumirá as energias célula-glandulares, estabelecendo quadro clínico psiquiátrico (loucura), sem lesão ou etiologia computável pela ciência.

Ainda que não se processem tais efeitos pelos motivos expostos de influência externa, a auto inibição, frustração e também o egoísmo, inveja, ciúme, ódio, sexualismo e outros, podem levar, em questão de tempo, o somático ao mesmo estado, pois que tais células em regime de tensão anormal prolongada, perdem seu potencial de resistência, seletor e coordenador de sinais psíquicos, quedando-se como simples condutos pelos quais perpassam e são alterados, criando a confusão de atitudes.

Devemos entender que todas as reações sensibilizantes (que outra coisa não são senão ondas e sinais magnéticos) emergem do espírito e imergem para o espírito. No primeiro caso, temos as “vibrações mentais” revertidas em palavras e atos, e no segundo as sensações naturais, bem como as de convivência e realizações, revertidas em sensibilidade e raciocínio, no caso do encarnado, pelas vias somáticas e em desencarnados (sujeitos a reencarnação), pelo perispírito.

Podemos comparar a criatura nesse estado, como que sob efeito de drogas neutralizantes, entorpecentes ou anestesiantes, cujos efeitos nada mais são do que reações químico-fluídicas, provocando o desequilíbrio magno-sensitivo, não permitindo ao espírito receber a sensibilidade normal, e delas definir pela compreensão e razão.

No processo dito obsessão, há somente modificação do estado das reações, prevalecendo todavia, a neutralização pelo excesso magnético atuante in natura, comportando, ainda neste caso, a aquiescência do objetivado, como nas drogas ingeridas espontaneamente.

Quando dizemos da moral, não a situamos tão somente no virtuosismo, mas consideramo-la como estado prevalecente. Assim, temos criaturas virtuosas que vivem sob o impacto sensibilizante das enfermidades imaginárias, permitindo que as mesmas se concretizem no somático, condensadas pelas ondas psíquicas e, não raro, atraem cargas magnéticas de igual teor de que são portadoras entidades desencarnadas e, consequentemente, sofrem a influência inconsciente da adição desequilibradora do magnetismo celular.

Quando dizemos da aquiescência da “vítima”, não consideramos como atração consciente desejada, mas a manutenção voluntária do padrão vibratório, em faixa condizente, permitindo a atuação da lei de atração e repulsão, ou afinidade.

Temos, portanto, que os “doutrinadores dos irmãozinhos obsessores”, na maioria dos casos agem pela psicologia sem o saberem e em outros casos, raríssimos, se atêm realmente com os “somados” inconscientes os quais, quando por vias mediúnicas “autênticas”, valendo-se ainda da psicologia, desagregam da “vítima”, em alguns casos, o choque promove o retorno à consciência de ambos.

Repetimos que a soma do magnetismo do desencarnado ao encarnado é em mínima porcentagem e está em razão de ajuste cronométrico, visto que a faixa de convivência não permite um mínimo diferencial, o que resulta na possibilidade de convivência sem que haja interferência a moldes de desequilibrar o semelhante. A própria sociedade o comprova e o mundo incorpóreo nada mais é do que a extensão da mesma. Em tudo mais entra a fantasia.

AS MESAS DE CARIDADE E OS ENDEMONINHADOS

Levando em consideração que o espírito é o mesmo homem desencarnado e, estando como o encarnado, em processo de evolução quando na erraticidade, não abdica do seu interesse pela mesma dentro de suas possibilidades.

Não é exato dizer que o desencarnado retorne para junto dos encarnados, com o fito de usufruir de maneira consciente e objetiva dos deleites da carne, sob qualquer denominação e, se usufruir, é porque tendências homogêneas o permitem e o atraem.

Não é pelo fato de o espírito desencarnar que ele se torna obrigatoriamente num parasita do encarnado sob qualquer pretexto, visto que, na Terra, como no espaço, a possibilidade de aprendizado preparatório para posterior desempenho evolutivo na carne, enquanto dela necessitar, é um imperativo.

É tempo de entendermos que o desencarne não transforma as criaturas, como até agora tem sido apregoado, em seres diferentes e muito menos em mentes deformadas, dando à erraticidade a feição de hospital de psiquiatria. O espírito é o que é, esteja onde estiver.

Devemos entender ainda, que o encarnado goza do livre-arbítrio tanto em repudiar quanto em aceitar influência, quer de encarnados quer de desencarnados, não sendo destes marionete manejável ao bel prazer, só pelo fato de não os ver. A permissão de tais procedimentos, sem nenhuma lei reguladora, contradiz toda a ordem da própria criação, pois seria o caos com aparência de ordem. Nada, absolutamente nada, se processa sem justificativa que se enquadre matematicamente dentro dessas mesmas leis. Se a lei sanciona a vingança pelas próprias mãos, o Criador está aquém do próprio homem. Se a lei permite um crime em desforra de outro, deixa de ser lei, porque vingança é crime com “razão motivo” apenas diferente.

Há nos Evangelhos fatos que dizem de “espíritos imundos” a quem Jesus teria expulsado. Como entender se afirmamos das leis reguladoras?

Nos raríssimos casos autênticos de “endemoninhados” prevalecem sempre as leis, porque são eternas e imutáveis. Os ditos “endemoninhados”, em sua maioria, não passaram de enfermos que, como hoje, são curados pela medicina magno psíquica, também o foram na época, visto que nenhuma lei pode ser transgredida (ainda que por Jesus: “Eu vim cumprir a lei”). As curas, bem como o desligamento dos espíritos, “somados” aos encarnados, foram o cumprimento de uma delas. Estes fatos, testemunhados ainda hoje, nem sempre se processam ao redor das “mesas” chamadas de “caridade”, mas em círculos até estranhos às mesmas.

Para o homem que não tem senão uma compreensão muito elementar do que seja “fé”, confundindo a mesma com crença, ainda não é dado aquilatar ou discernir o acionário impositivo dos atos do Mestre, no tocante às curas. Inúmeros casos em que se teve como “endemoninhada” a vítima, não passando porém de simples enfermidade, o Mestre atuou diretamente sobre o somático, embora repreendesse o “espírito” ou “demônio”, porque não cabia a Ele criar confusão naquelas mentes simples, para quem o enfermo era um “possesso”. Ainda hoje, para muitos espíritas, se não é “obsessão”, é “mediunidade”.

O potencial energético desabrochado em multimilênios de evolução tanto pode atuar sobre um fisiológico como sobre um corpo inerte (monte) ou sobre o próprio vegetal (figueira), e desconhece da distância (passagem referente ao “centurião de Cafarnaum”), o que se traduz por FÉ, e ainda que no caso do centurião se tenha traduzido por FÉ, entendamos por confiança.

Se FÉ permitisse a mesma interpretação de crença ou confiança, o homem não necessitaria de evoluir e em épocas futuras atuar sobre as leis cósmicas, condensando os elementos, descondensando-os, criando e modificando-os em cooperação pessoal e responsável na grande obra da criação, mas agiria sempre como mero instrumental, dependente de outra vontade nas realizações.

O Universo, em todo o seu composto, não vibra sob caprichos divinos, mas desde sua criação ordena-se e coordena-se sob leis sábias e imutáveis, as quais deve a criatura conhecer, subordinar e manejar, em função da criatividade e progresso.

“Ide e curai os enfermos …” e não, ide e rogai ao Pai que os cure ao teu pedido. O determinismo responsabilizador não carece de dúvida quanto ao desempenho. A FÉ é o que remove montanhas, e crença é a confiança em que alguém o possa fazer em função dessa mesma confiança, e aí a criatura situa-se como simples apêndice.

O único caso de “soma magno-fluídica” verídico é a do endemoninhado gadareno, em que nos são demonstrados de forma sucinta vários obstáculos. Um deles é que tendo encontrado no somático a necessária aquiescência (lei de afinidade), “fundiram-se” os campos magnéticos, tornando-os como um único, como seja, até na aparência, um só somático e um só perispírito, chegando a confundir o próprio Mestre, que pergunta: “Como te chamas?” Ao que respondem: “Legião, porque somos muitos”. Outro óbice é que o hábito de permanência em contato com o campo célulo-magnético (corpo) era tão arraigado, que supunham não poder sobreviver fora dele, ao ponto de solicitar ao Mestre a introdução em porcos. Outro, é que não existia, como nunca existe, inconsciência do seu estado, pois que antes da aproximação do Mestre, anteciparam-se em solicitação. Outro, é que não existe maldade como querem os doutrinadores, mas infelicidade devido ao atraso evolutivo: “conjuro-te por Deus”.

No caso do endemoninhado na Sinagoga de Cafarnaum, não se completa a fusão fluídica, por ser intermitente a ação. Aí notamos a humildade e consciência ao exclamar: “Que temos nós contigo? Vieste para perder-nos?” E não nos parece que ao redor das mesas de caridade tais fatos se processem. Tudo a priori, nada a posteriori.

O espírito evolutivo do Evangelho não se define por meras palavras, porque o seu arcabouço tem dimensões astronômicas que só o tempo (evolução) proporcionará ao homem as luzes para entender como lastro do qual alçará vôo ao Evangelho superior, ou estágio científico evolutivo maior.

Sabemos que o arco é teso e a flecha está apontada (“quem não ajunta, espalha”), mas às vezes o espalhar e expor a boa semente à luz benéfica do sol, é evitar que o mofo a deteriore, sob o monturo de tendências esdrúxulas e nocivas à germinação.

Perguntado ao Mestre porque os discípulos não conseguiram “desligar o espírito imundo”, lhes responde: “Esta casta não sai senão com jejum e oração”. Isto traduz o que dissemos acima do potencial magnético, aliado a uma moral de porte gigantesco, o que não se consegue pelo fato de conhecer tanto o Evangelho como toda literatura referente, mas sim, “ser em íntimo constitutivo” esse mesmo estado.

Tal consequência demanda regras de vida (fora dos Centros Espíritas) que vai desde o auto-domínio gastronômico ao mais insignificante olhar, gestos e atitudes, brotados da pureza de sentimentos, em constante, e exteriorizados na simplicidade natural, sem laivos de humildade aparente, mas com sincera humildade em auto-julgamento pelo tribunal interior (consciência).

Em se tratando do homem, que nada consegue senão pelo adestramento inicial formador de hábitos que, no decorrer do tempo, se consolidarão no íntimo como componentes transformantes, pode-se deduzir que, para conseguir o jejum e oração permanentes, à altura requerida, muito terá que escoimar-se da sua própria auto-obsessão, entre as quais a de “doutrinar irmãozinhos desencarnados” ao redor das mesas de caridade, esquecendo-se dos “irmãozinhos encarnados”!


Irmão Anthero
(recebido por via mediúnica)

  1. Etiologia: ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno. Medicina: estudo das causas das doenças. ↩︎

RESUMO GERADO POR IA

Os principais pontos abordados no texto são:

  • Inexistência de Vingança Espiritual Consciente: O texto argumenta que os Evangelhos não retratam a obsessão como um ato de vingança ou maldade intencional por parte de espíritos desencarnados, mas sim como um reflexo de leis naturais de intercâmbio, baseadas na afinidade (“atração e repulsão” de vibrações).
  • Afinidade Vibratória: Obsessor e obsediado encontram-se em faixas vibratórias semelhantes devido ao seu estado evolutivo e moral. O ser encarnado mantém o padrão que permite essa sintonia através de seus pensamentos e atitudes cotidianos.
  • O Verdadeiro Sentido de “Orar e Vigiar”: A vigilância recomendada por Jesus não se limita a práticas místicas ou ao isolamento em templos, mas consiste em uma conduta íntegra, no trabalho honesto, no esforço intelectual e na ocupação mental com o bem do próximo, o que funciona como um imunizante natural contra influências inferiores.
  • Redefinição dos Casos de Obsessão: O autor aponta que a grande maioria dos casos atendidos em centros espíritas como “obsessão” refere-se, na verdade, a desequilíbrios orgânicos, neuropsiquiátricos, distúrbios sensitivos, auto-obsessão decorrente de frustrações ou influências de outros encarnados, e não a perseguições diretas de desencarnados.
  • A Leitura dos Episódios Evangélicos: Passagens bíblicas sobre “espíritos imundos” ou “endemoninhados” são interpretadas não como manifestações de demônios ou vingança, mas como quadros de enfermidades da época que encontravam cura através da atuação magnética e da força moral (fé) de Jesus, em harmonia com leis cósmicas imutáveis.
  • Conclusão Prática: O texto finaliza enfatizando que o verdadeiro progresso espiritual exige a autoeducação, o domínio sobre os próprios impulsos e a superação de posturas dogmáticas — inclusive a de focar excessivamente no “atendimento a espíritos” em detrimento do trabalho prático e da assistência aos próprios semelhantes encarnados.